Na véspera da eleição, Trump bombardeia o Irã depois de prometer que não atacaria
Em 8 de outubro, ele escreveu que não atacaria o Irã "em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato". Na segunda-feira (2), um dia antes da votação, forças americanas atacaram alvos na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. A Casa Branca chamou de ataque "defensivo".
ChargeEm 8 de outubro, Donald Trump escreveu no Truth Social uma frase curta: “We will not be attacking Iran at any time prior to the Midterm Elections”. Não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato. A eleição é nesta terça-feira, 3 de novembro.
Na segunda-feira (2), a agência estatal iraniana relatou explosões na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. Autoridades americanas confirmaram à imprensa que foram ataques dos Estados Unidos. Um deles disse à Associated Press que se tratava de ataques “defensivos” contra iranianos que usavam mísseis terra-ar contra ativos americanos. À CBS, outros disseram que foi a resposta a disparos da Guarda Revolucionária contra uma aeronave dos EUA.
Promessa com prazo de validade
O governo diz que não é a volta da guerra: os ataques foram limitados. Mas a promessa não tinha ressalva para ataque pequeno, nem para ataque defensivo. Era “em nenhum momento”.
Na segunda-feira, ao deixar um evento, Trump foi perguntado se pensava em atacar o Irã de novo depois da eleição. Respondeu “não”. Ao site Axios, disse que os EUA vão “fazer alguma coisa, de um jeito ou de outro, mas não há pressa”. À Fox News, falou que talvez seja preciso atacar Pickaxe, instalação ligada ao programa nuclear iraniano, e que isso “não é grande coisa”: daria para fazer “em uma hora”.
Quem empurra
Do outro lado, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu a Trump num telefonema no fim de semana uma nova onda de bombardeios logo depois da eleição, segundo autoridades da região ouvidas pela AP. O Abestadão contou essa pressão na reportagem sobre o telefonema. Enquanto isso, o Catar media um acordo: o Irã pararia os ataques no estreito, e os EUA suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos.
O vice-presidente, J. D. Vance, falou em negociação.
A conta na bomba de gasolina
A guerra começou no fim de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel. Desde então, o galão da gasolina nos Estados Unidos subiu de US$ 2,98 para US$ 4,36, alta de cerca de 40%, e o barril do petróleo Brent passou de US$ 104 em outubro. Em agosto, só 31% dos americanos apoiavam ação militar contra o Irã. A promessa de 8 de outubro foi feita para esse eleitor. Os ataques de 2 de novembro chegaram antes de ele votar.
Fontes
- Trump says U.S. will not attack Iran before midterm election
Em 8/10/2026, Trump escreveu no Truth Social que não atacaria o Irã antes das eleições de meio de mandato. A guerra começou no fim de fevereiro; o Brent passou de US$ 104 e a gasolina nos EUA chegou a US$ 4,36 o galão, contra US$ 2,98 antes da guerra. Em agosto, só 31% dos americanos apoiavam ação militar contra o Irã (Reuters/Ipsos).
- US strikes Iran ahead of midterm elections
A IRNA relatou explosões na ilha de Qeshm em 2/11; autoridades americanas disseram à CBS que os ataques foram limitados, em resposta a disparos da Guarda Revolucionária contra uma aeronave dos EUA. Trump disse ao Axios que não há pressa e à Fox que os EUA podem precisar atacar Pickaxe, local ligado ao programa nuclear.
- US has conducted defensive strikes on Iranian targets in the Strait of Hormuz, US official says
Um funcionário americano disse que os alvos eram iranianos usando mísseis terra-ar contra ativos dos EUA; os ataques pareciam limitados. Netanyahu pediu a Trump, por telefone, uma nova onda de ataques depois da eleição; o Catar media um acordo para reabrir o estreito em troca do fim do bloqueio aos portos iranianos.


