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Reportagem
Abestadão/Internacional

Na véspera da eleição, Trump bombardeia o Irã depois de prometer que não atacaria

Em 8 de outubro, ele escreveu que não atacaria o Irã "em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato". Na segunda-feira (2), um dia antes da votação, forças americanas atacaram alvos na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. A Casa Branca chamou de ataque "defensivo".

Por Redação do Abestadão2 min de leitura
Charge em aquarela numa seção eleitoral americana com a placa Vote here: uma caricatura de Donald Trump, numa cabine de votação, sorri e mostra no celular a mensagem No attack before the election, enquanto aperta com a outra mão um botão vermelho; pela janela, caças sobrevoam um estreito e explosões sobem de uma ilha; eleitores na fila olham assustados.Charge
Caricatura de Donald Trump. A cena é satírica. Charge gerada por IA sob direção da redação, com o retrato oficial de Trump (Wikimedia Commons) como referência. Caricatura, não fotografia.

Em 8 de outubro, Donald Trump escreveu no Truth Social uma frase curta: “We will not be attacking Iran at any time prior to the Midterm Elections”. Não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato. A eleição é nesta terça-feira, 3 de novembro.

Na segunda-feira (2), a agência estatal iraniana relatou explosões na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. Autoridades americanas confirmaram à imprensa que foram ataques dos Estados Unidos. Um deles disse à Associated Press que se tratava de ataques “defensivos” contra iranianos que usavam mísseis terra-ar contra ativos americanos. À CBS, outros disseram que foi a resposta a disparos da Guarda Revolucionária contra uma aeronave dos EUA.

Promessa com prazo de validade

O governo diz que não é a volta da guerra: os ataques foram limitados. Mas a promessa não tinha ressalva para ataque pequeno, nem para ataque defensivo. Era “em nenhum momento”.

Na segunda-feira, ao deixar um evento, Trump foi perguntado se pensava em atacar o Irã de novo depois da eleição. Respondeu “não”. Ao site Axios, disse que os EUA vão “fazer alguma coisa, de um jeito ou de outro, mas não há pressa”. À Fox News, falou que talvez seja preciso atacar Pickaxe, instalação ligada ao programa nuclear iraniano, e que isso “não é grande coisa”: daria para fazer “em uma hora”.

XGarrett Haake, repórter da NBCPerguntado se pensava em atacar o Irã de novo depois da eleição, Trump olhou e respondeu “não”.Abrir no X

Quem empurra

Do outro lado, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu a Trump num telefonema no fim de semana uma nova onda de bombardeios logo depois da eleição, segundo autoridades da região ouvidas pela AP. O Abestadão contou essa pressão na reportagem sobre o telefonema. Enquanto isso, o Catar media um acordo: o Irã pararia os ataques no estreito, e os EUA suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos.

O vice-presidente, J. D. Vance, falou em negociação.

XRapid Response 47, perfil da Casa BrancaJ. D. Vance diz que ele e o presidente se sentem confiantes numa saída negociada com o Irã.Abrir no X

A conta na bomba de gasolina

A guerra começou no fim de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel. Desde então, o galão da gasolina nos Estados Unidos subiu de US$ 2,98 para US$ 4,36, alta de cerca de 40%, e o barril do petróleo Brent passou de US$ 104 em outubro. Em agosto, só 31% dos americanos apoiavam ação militar contra o Irã. A promessa de 8 de outubro foi feita para esse eleitor. Os ataques de 2 de novembro chegaram antes de ele votar.

Fontes

  • Trump says U.S. will not attack Iran before midterm election · CNBC, 08/10/2026. Consultada em 03/11/2026

    Em 8/10/2026, Trump escreveu no Truth Social que não atacaria o Irã antes das eleições de meio de mandato. A guerra começou no fim de fevereiro; o Brent passou de US$ 104 e a gasolina nos EUA chegou a US$ 4,36 o galão, contra US$ 2,98 antes da guerra. Em agosto, só 31% dos americanos apoiavam ação militar contra o Irã (Reuters/Ipsos).

  • US strikes Iran ahead of midterm elections · BBC, via Yahoo News, 03/11/2026. Consultada em 03/11/2026

    A IRNA relatou explosões na ilha de Qeshm em 2/11; autoridades americanas disseram à CBS que os ataques foram limitados, em resposta a disparos da Guarda Revolucionária contra uma aeronave dos EUA. Trump disse ao Axios que não há pressa e à Fox que os EUA podem precisar atacar Pickaxe, local ligado ao programa nuclear.

  • US has conducted defensive strikes on Iranian targets in the Strait of Hormuz, US official says · Associated Press, via ETV Bharat, 03/11/2026. Consultada em 03/11/2026

    Um funcionário americano disse que os alvos eram iranianos usando mísseis terra-ar contra ativos dos EUA; os ataques pareciam limitados. Netanyahu pediu a Trump, por telefone, uma nova onda de ataques depois da eleição; o Catar media um acordo para reabrir o estreito em troca do fim do bloqueio aos portos iranianos.

Temas: Guerra, Oriente Médio

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