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Reportagem
Abestadão/Congresso

Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, faz de tudo para seguir no comando do Senado, até acenar com anistia a Bolsonaro

O PT vai apoiar a recondução dele, porque o rival é Rogério Marinho, do PL, partido que tem o impeachment de Alexandre de Moraes como bandeira. Para tirar votos da direita, Alcolumbre discute um perdão a Bolsonaro. O governo não entrou nessa: Lula já falou publicamente contra perdoar Bolsonaro.

Por Redação do Abestadão2 min de leitura
Charge em aquarela no plenário azul do Senado: uma caricatura de Davi Alcolumbre está agarrada com uma mão e as pernas à cadeira da presidência e, com a vara de pescar na outra mão, balança um rolo de papel escrito Anistia sobre um grupo de senadores de terno, que esticam os braços para pegar a isca.Charge
Caricatura de Davi Alcolumbre. A cena é satírica. Charge gerada por IA sob direção da redação, com retratos de Davi Alcolumbre (Wikimedia Commons) como referência. Caricatura, não fotografia.

A eleição para presidente do Senado é em 1º de fevereiro de 2027, com voto secreto. Quem tiver 41 dos 81 votos manda na pauta da Casa pelos dois anos seguintes. Davi Alcolumbre (União-AP), que ocupa a cadeira, quer ficar. E está fazendo de tudo para isso.

O apoio do governo

Na segunda-feira, 26 de outubro, Lula recebeu Hugo Motta e Alcolumbre no Palácio da Alvorada e avisou que o PT vai apoiar a recondução dos dois, segundo o Estadão. Pediu, em troca, empenho na PEC da Segurança Pública.

O motivo de o governo preferir Alcolumbre tem nome: Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha derrotada de Flávio Bolsonaro. O PL decide nesta quarta-feira (4) se lança Marinho. O partido terá 29 senadores a partir de fevereiro, a maior bancada, e trata o impeachment de Alexandre de Moraes como pauta central. É o presidente do Senado quem decide se um pedido de impeachment de ministro do Supremo anda ou fica na gaveta. Alcolumbre, amigo de Moraes, já disse a interlocutores que não pretende pautar esses pedidos. Com Marinho na cadeira, a gaveta abre.

A isca

Alcolumbre diz ter 48 votos. A conta dos partidos que sinalizaram apoio, MDB, PSD, PT, União Brasil e PP, dá 33 senadores, oito a menos que o necessário. O resto teria de vir da direita.

Para buscar esses votos, Alcolumbre passou a discutir um perdão a Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe. Há dois caminhos na mesa, segundo o Poder360 e o Metrópoles. O primeiro é um indulto humanitário, que depende de Lula. O segundo, que hoje tem mais tração, é uma anistia votada no Congresso, restrita à pena: Bolsonaro sairia da prisão, mas continuaria inelegível, até pelo menos 2060.

O governo não entrou nessa. Os próprios aliados de Alcolumbre consideram o indulto a saída mais difícil, por causa das declarações públicas de Lula contra perdoar Bolsonaro. E uma anistia, por ser lei, passaria pela sanção ou pelo veto do presidente. Por enquanto, não há proposta escrita nem acordo. Senadores do PL avisam que promessa para depois não serve: querem o acerto fechado ainda neste ano.

Tem ainda o Supremo no caminho. Em 2023, o STF anulou o indulto que Bolsonaro deu a Daniel Silveira, e o ministro Luiz Fux sustentou que crime contra o Estado Democrático de Direito não pode ser perdoado.

O que mais pesa sobre a cadeira

Alcolumbre disputa a reeleição com o nome citado no caso Banco Master. Em junho, a Veja publicou que Daniel Vorcaro relatou a investigadores um repasse de US$ 30 milhões ao senador. Alcolumbre respondeu que “jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior”, e a Polícia Federal rejeitou a delação de Vorcaro. No domingo (1º), a coluna de Lauro Jardim, no Globo, registrou que ele aparece em mensagens trocadas com o banqueiro. A Presidência do Senado respondeu que ele não é investigado em nenhuma das operações.

Não há, até aqui, prova que ligue o caso ao esforço de Alcolumbre para continuar presidente. O que está à vista já basta: um presidente do Senado que oferece perdão a um condenado por golpe para não perder a cadeira.

Fontes

  • Alcolumbre tenta acordo para libertar Bolsonaro e se reeleger no Senado · Poder360, 01/11/2026. Consultada em 03/11/2026

    Alcolumbre busca um acordo para tirar Bolsonaro da prisão, por indulto humanitário ou anistia, sem devolver os direitos políticos dele, que está inelegível até pelo menos 2060. O objetivo é atrair a direita e reduzir a pressão por impeachment de ministros do STF. O PL terá 29 senadores em 2027 e trata o impeachment de Moraes como pauta central; Alcolumbre é amigo pessoal de Moraes.

  • Alcolumbre busca acordo para perdoar Bolsonaro e atrair votos no Senado · Metrópoles, 29/10/2026. Consultada em 03/11/2026

    As conversas envolvem parlamentares, integrantes do governo e ministros do STF, mas não há proposta definida. Aliados de Alcolumbre consideram o indulto de Lula a saída mais difícil, por causa das declarações públicas do presidente contra o perdão. Anistia exige lei aprovada nas duas Casas e sujeita a sanção ou veto. MDB, PSD, PT, União Brasil e PP sinalizaram apoio, o que soma 33 senadores; são precisos 41.

  • PT apoia Alcolumbre; PL decide se lança Rogério Marinho · Agora RN, citando o Estadão, 29/10/2026. Consultada em 03/11/2026

    Em 26/10, no Alvorada, Lula comunicou a Hugo Motta e Davi Alcolumbre que o PT apoiará a recondução dos dois em 1º/2/2027, e pediu empenho na PEC da Segurança Pública. Em 5/10, Valdemar Costa Neto disse que apoiar Alcolumbre estava totalmente descartado e que o PL quer eleger Marinho. Em 2023, Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco por 49 a 32.

    O apoio do PT ainda não foi anunciado oficialmente.

  • Alcolumbre diz ter maioria para se reeleger e rejeita impeachment de Moraes · CNN Brasil, blog de Caio Junqueira, 26/10/2026. Consultada em 03/11/2026

    Alcolumbre diz a interlocutores ter pelo menos 48 votos e não pretende pautar impeachment de ministros do STF, em especial de Moraes. O PL quer lançar Rogério Marinho, que coordenou a campanha derrotada de Flávio Bolsonaro.

  • Alcolumbre nega ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro · Poder360, 12/06/2026. Consultada em 03/11/2026

    A Veja publicou que Vorcaro, do Banco Master, relatou a investigadores um repasse de US$ 30 milhões a Alcolumbre, ao propor delação. Alcolumbre chamou a informação de absolutamente falsa. A PF rejeitou a segunda tentativa de delação de Vorcaro.

    Relato atribuído a Vorcaro, sem prova pública.

  • Alcolumbre entra no radar de três investigações da PF em meio à disputa pela reeleição · Brasil 247, citando a coluna de Lauro Jardim (O Globo), 01/11/2026. Consultada em 03/11/2026

    Segundo a coluna, Alcolumbre é citado em mensagens trocadas com Daniel Vorcaro no caso Master. A Presidência do Senado respondeu que ele não é investigado em nenhuma das operações.

    Citação em mensagens não é acusação formal.

Temas: Congresso, Democracia

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