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Reportagem
Abestadão/Congresso

Vitória do povo e mais uma do PSOL: o fim da 6x1 está na Constituição, e Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, se projeta

Promulgada em 16 de outubro, a emenda garante dois dias de descanso por semana sem corte de salário e baixa a jornada de 44 para 42 horas em dezembro e para 40 horas no fim de 2027. Pelo Dieese, são 26,8 milhões de trabalhadores. Autora de uma das PECs, Erika Hilton (PSOL-SP) foi reeleita como a mulher mais votada da história da Câmara.

Por Redação do Abestadão2 min de leitura
Charge em aquarela diante do Congresso, em Brasília: caricatura de Erika Hilton sorri segurando um calendário em que o 6x1 está riscado de vermelho e sábado e domingo estão circulados; em volta, trabalhadores sorridentes saem para o fim de semana, uma caixa de supermercado com cadeira de praia, um garçom, uma enfermeira, um operário com o filho nos ombros, uma atendente de telemarketing com cesta de piquenique e um entregador com bola de futebol.Charge
Caricatura de Erika Hilton. A cena é uma charge; os trabalhadores são fictícios. Charge gerada por IA sob direção da redação, com foto pública da deputada (Wikimedia Commons) como referência. Caricatura, não fotografia.

Desde 16 de outubro, a escala de seis dias de trabalho para um de folga não cabe mais na Constituição. Naquela sexta-feira, o Congresso promulgou a emenda que garante a todo trabalhador com carteira assinada dois dias de descanso remunerado por semana, sem corte de salário. Lula estava na cerimônia. “Ninguém quer que uma empresa quebre, mas ninguém quer que o trabalhador morra de tanto trabalhar”, disse.

A mudança vem em duas etapas. Sessenta dias depois da publicação, em meados de dezembro, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, já com a escala de cinco dias de trabalho para dois de descanso. Doze meses depois, no fim de 2027, chega a 40 horas. Pelo Dieese, com base na pesquisa do IBGE, são 26,8 milhões de pessoas afetadas: 22 milhões com carteira, mais da metade dos empregados formais do país, e 4,8 milhões de informais que trabalham mais de 40 horas.

Como passou

O placar diz quase tudo. Na Câmara, em 27 de maio, foram 472 votos a 22 no primeiro turno. No Senado, em 14 de outubro, 75 a 1 nos dois turnos. O único voto contra foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

O texto final juntou duas propostas. A mais antiga é a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa 36 horas semanais em dez anos. A outra é a PEC 8/2025, de Erika Hilton (PSOL-SP), que pedia 36 horas em quatro dias de trabalho. As duas foram analisadas em conjunto, e o Congresso aprovou um meio-termo: 40 horas em cinco dias.

XErika Hilton, deputada federal (PSOL-SP)“É oficial: acabou a escala 6x1”, no dia da aprovação no Senado.Abrir no X

A deputada que se projetou

Erika Hilton apresentou a PEC em 2025. Em 4 de outubro de 2026, dez dias antes da votação no Senado, teve 1.596.383 votos para deputada federal por São Paulo. É a maior votação de uma mulher na história da Câmara, acima do recorde de Joice Hasselmann em 2018, e a segunda maior do país em 2026. Em 2022, ela tinha tido 256.903 votos. Multiplicou por mais de seis.

“Essa vitória não é minha, é coletiva”, disse na noite da apuração. Na promulgação da emenda, comemorou: “A luta move o mundo”.

XCenariumErika Hilton comemora a promulgação: “A luta move o mundo”.Abrir no X

O que fica de fora

A emenda tem exceções. Quem tem diploma de nível superior e salário igual ou maior que 2,5 vezes o teto do INSS, hoje R$ 21.188,87, não tem redução obrigatória da jornada. Os terceirizados da administração pública ganham 12 meses de prazo, em vez de 60 dias. E a compensação de horários e a redução por acordo ou convenção coletiva continuam valendo.

A partir de dezembro, a pergunta de sábado deixa de ser “você trabalha amanhã?” para metade dos trabalhadores com carteira do país.

Fontes

Temas: Congresso, Renda, Trabalho

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