Americanos pedem que Trump deporte Flávio Bolsonaro de volta ao Brasil
Uma semana depois de entrar nos Estados Unidos com autorização da Casa Branca, o senador virou alvo da hashtag #DeportTheBolsonaros, de cartazes de procurado em Nova York e de uma carta de 25 deputados democratas ao secretário de Estado, Marco Rubio. Nesta segunda (2), o líder democrata no Comitê de Supervisão da Câmara pediu que Rubio o mande de volta "para enfrentar a Justiça".
IlustraçãoFlávio Bolsonaro levou uma semana para descobrir que os Estados Unidos têm dois governos. O de Donald Trump autorizou a entrada dele. O resto do país quer saber por quê.
O senador perdeu a eleição presidencial em 25 de outubro. No dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou que ele entregasse os passaportes, num inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio não entregou. Às 22h50 de 27 de outubro, segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, ele, a mulher e as filhas atravessaram a ponte Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu. De lá, um jatinho particular fez escala no Equador e pousou perto de Miami no dia 28. Segundo o New York Times, citado pela Revista Fórum, o avião foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação ligado à Casa Branca e aliado antigo da família. O caminho até a fronteira o Abestadão já contou, na peça sobre o ex-agente do Mossad.
A hashtag
Na mesma semana, a frase #DeportTheBolsonaros (“deportem os Bolsonaros”) começou a circular no X e em outras redes. O impulso inicial veio de perfis brasileiros. Depois vieram os americanos, e o argumento deles não era a democracia brasileira. Era o bolso do contribuinte americano.
O mais barulhento foi Isaiah Martin, candidato democrata ao Congresso pelo Texas. Só em 27 de outubro, ele publicou dez posts sobre o assunto. Num deles, prometeu que o próximo presidente democrata deveria deportar os dois irmãos Bolsonaro, Flávio e Eduardo, “no primeiro dia”. Em outro, sugeriu que o Brasil fosse buscá-lo “no meio da noite, de helicóptero”. E reclamou de pagar a segurança de quem chamou de foragido.
A ironia que pegou foi outra. O governo que faz da deportação de imigrantes sem documentos uma bandeira recebeu, com autorização da Casa Branca, um senador que deixou o país dele descumprindo ordem judicial. O deputado democrata Joaquin Castro resumiu numa linha: “perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”. Os democratas da Comissão de Relações Exteriores da Câmara lembraram que não há asilo para quem foge da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti.
Os deputados
Na noite de 29 de outubro, 25 deputados democratas mandaram ao secretário de Estado, Marco Rubio, uma carta com 15 perguntas. Querem saber se o Departamento de Estado, a embaixada em Brasília ou funcionários na Argentina e no Equador ajudaram na viagem. Querem saber também quando o governo soube da ordem de entrega do passaporte e com que base legal o senador entrou. O prazo para a resposta é 13 de novembro. A carta foi liderada por Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, que copreside a bancada da Câmara dedicada ao Brasil, e por Dina Titus, de Nevada.
Nesta segunda-feira (2), Robert Garcia, o democrata mais graduado do Comitê de Supervisão da Câmara, foi além das perguntas. Em carta a Rubio, pediu que o senador seja devolvido ao Brasil: “O secretário Rubio deveria mandar Bolsonaro para casa, para enfrentar a Justiça”.
Os cartazes
No fim de semana do Halloween, uma brasileira de máscara espalhou por ruas e estações de metrô de Nova York cartazes com o rosto de Flávio e a palavra “procurado”, “por sérios crimes contra a democracia”. No vídeo, ela diz que o senador não é perseguido político, é alguém a ser deportado.
Quem decide
Nenhum desses pedidos tem força para tirar Flávio do país. Deportação é decisão do Poder Executivo: do Departamento de Estado, que cuida dos vistos, e do Departamento de Segurança Interna, que cuida da imigração. “Não se pode pensar que o Congresso tem o poder de deportar alguém”, explicou Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM. O que a Câmara pode fazer é investigar e, se os democratas voltarem à maioria, convocar Rubio para depor.
Até lá, Flávio continua em Miami, com a autorização de quem decide. O mandato dele no Senado vai até 31 de janeiro de 2027. No Brasil, o inquérito continua aberto e o passaporte continua não entregue.
Fontes
- Post da Dirección Nacional de Migraciones sobre a entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina
Flávio Bolsonaro e a família entraram na Argentina pela ponte Tancredo Neves, em Misiones, às 22h50 de 27 de outubro.
- Brazil's Flávio Bolsonaro flees to U.S. after election loss
Flávio cruzou por terra para a Argentina, voou ao Equador e pousou perto de Miami em 28/10; responde a investigações criminais no Brasil; Trump disse que aprovaria a entrada.
- Americanos se revoltam com proteção de Trump a Flávio Bolsonaro e pedem deportação
Segundo o New York Times, Jason Miller, aliado da família, providenciou o jatinho que levou o senador, a mulher e as filhas da Argentina a Miami, com escala no Equador; internautas pedem a deportação com a hashtag.
Cita o New York Times.
- Campanha #DeportTheBolsonaros pede deportação da família Bolsonaro dos Estados Unidos
A hashtag circulou no X e em outras redes depois da chegada de Flávio a Miami; não há dados públicos sobre quantos americanos participam.
- Democratas criticam vistos e defendem deportação de Flávio Bolsonaro dos EUA
O deputado Joaquin Castro escreveu que perder eleição não é motivo para asilo; os democratas da Comissão de Relações Exteriores compararam o caso à falta de asilo para quem foge do Sudão e do Haiti.
- 25 House Democrats Press Rubio on Bolsonaro
Carta de 25 deputados liderados por Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus faz 15 perguntas a Rubio sobre a ajuda à viagem e o visto, com resposta pedida até 13 de novembro.
- Ranking Member Robert Garcia Demands Answers from Secretary Marco Rubio After U.S. Allegedly Helps Flávio Bolsonaro Flee Brazil
Robert Garcia, líder democrata no Comitê de Supervisão, pediu que Rubio devolva Flávio ao Brasil para responder à Justiça.
- Democratas podem investigar entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA, mas não deportá-lo
Deportação é decisão do Executivo (Departamento de Estado e Segurança Interna); o Congresso pode investigar e convocar Rubio, segundo os professores Roberto Uebel (ESPM) e Vitelio Brustolin (UFF).
Site de opinião alinhado à esquerda.
- Vídeo: brasileiros espalham cartazes de Flávio Bolsonaro como procurado nos EUA
No fim de semana do Halloween, uma brasileira mascarada espalhou em ruas e estações de metrô de Nova York cartazes de Flávio como procurado.
Site de opinião alinhado à esquerda; vídeo conferido no X.


