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Reportagem
Abestadão/Congresso

Alcolumbre (União-AP) dá sermão em senadores que não têm propostas para o país

No plenário, o presidente do Senado disse que muitos se elegeram “ofendendo e agredindo as pessoas”, sem falar de saúde, universidade ou democracia. E ironizou os bolsonaristas que contestam a urna: “no primeiro turno a urna eletrônica prestou”.

Por Redação do AbestadãoAtualizada em 01/11/2026, 09:002 min de leitura
Charge em aquarela no plenário azul do Senado: uma caricatura de Davi Alcolumbre, de terno azul-marinho e gravata vermelha, ergue o dedo na tribuna como um professor dando sermão. Atrás dele, uma lousa traz Saúde, Universidade e Democracia com as caixinhas em branco. Na frente, senadores de terno, sentados em carteiras escolares, olham emburrados para celulares cheios de emojis de raiva; numa carteira ao lado, uma urna eletrônica tem um bilhete com uma carinha triste.Charge
Caricatura de Davi Alcolumbre. A cena é satírica. Charge gerada por IA sob direção da redação, com a foto oficial de Davi Alcolumbre (Agência Senado, Wikimedia Commons) como referência. Caricatura, não fotografia.

Na sessão de quarta-feira (4), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), parou o plenário para dar um sermão nos colegas. Foi depois de uma discussão sobre a redução da maioridade penal, segundo a Agência Senado. As falas abaixo foram registradas por O Tempo, CNN Brasil, ICL Notícias e Revista Fórum.

“Ganharam a eleição ofendendo”

“Infelizmente muitos atores políticos do meu país, chamado Brasil, se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas.”

Antes, ele reclamou dos colegas que trocam o debate por ataques à Presidência:

“Seja na tribuna ou seja apenas em um vídeo de rede social, para ofender o Presidente do Senado, para talvez conquistar apoiamento desse radicalismo horrível que nós estamos vivendo no Brasil.”

“Não teve proposta”

![Card de citação: “Não teve proposta de universidade. […] Mas ofensas, agressões e ameaças foram todos os dias”, Davi Alcolumbre (União-AP)](/arte/alcolumbre-citacao-ofensas-1024.webp)

Alcolumbre listou o dever de casa que ninguém fez na campanha:

“Não teve proposta de universidade, proposta de levar novos institutos federais para formar a juventude.”

“Eles não apresentaram para o Brasil que eles iam cuidar da saúde dos brasileiros.”

“Defender as instituições democráticas, não apresentaram!”

E resumiu o que sobrou:

“Mas ofensas, agressões e ameaças foram todos os dias.”

Ele não citou o PL nem a família Bolsonaro pelo nome. Segundo a CNN Brasil, os ataques que recebeu na campanha tinham um mote: ele não abre processo de impeachment contra ministros do Supremo, bandeira do PL.

“No primeiro turno a urna prestou”

![Card de citação: “No primeiro turno a urna eletrônica prestou. […] Foi a tal da mesma urna eletrônica!”, Davi Alcolumbre (União-AP)](/arte/alcolumbre-citacao-urna-1024.webp)

Depois, virou-se para Damares Alves (Republicanos-DF) e Izalci Lucas (PL-DF):

“O pior de tudo isso, senadora Damares Alves, senador Izalci, é que no primeiro turno a urna eletrônica prestou.”

A ironia mira quem passou a duvidar da urna depois que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu para Lula no segundo turno:

“[…] essa mesma urna eletrônica, que tem 30 anos, serviu para eleger 120 Deputados Federais do partido do candidato que perdeu a eleição.”

“Essa mesma urna eletrônica serviu para eleger vinte e tantos senadores.”

“O resultado valeu para o primeiro turno. […] Foi a tal da mesma urna eletrônica!”

“Um senso razoável de país”

O fecho foi um pedido de paz:

“Todos nós somos obrigados a trazer o debate para um senso razoável de país.”

“Estou pedindo que a gente possa usar os microfones para pensar o que queremos para as próximas gerações.”

O pregador em campanha

O sermão tem plateia certa. No mesmo dia, segundo O Tempo, Rogério Marinho (PL-RN) lançou sua candidatura à presidência do Senado para 2027, contra a recondução de Alcolumbre. E, como esta publicação mostrou, o mesmo Alcolumbre que agora cobra propostas e defende a democracia vinha acenando com um perdão a Bolsonaro para tirar votos da direita.

Quem pede aos colegas que pensem nas próximas gerações também está pensando, com todo o direito, na próxima eleição da Mesa.

Fontes

Temas: Congresso, Democracia

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