Mais de 32 mil empresas fecharam na Argentina no governo Javier Milei
O registro de empregadores da Superintendência de Riscos do Trabalho caiu de 512.357 para 480.067 entre novembro de 2023 e julho de 2026. Foram 437 mil empregos formais a menos, e 99,7% das empresas perdidas têm até 500 funcionários.
IlustraçãoMais de 32 mil empresas fecharam

Em novembro de 2023, mês anterior à posse de Javier Milei, a Argentina tinha 512.357 empregadores com trabalhadores registrados na Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), o órgão do sistema de seguridade social que cobre os empregos formais. Em julho de 2026, o dado mais recente, eram 480.067. A diferença, 32.290 empregadores a menos, equivale a 6,3% do total inicial e foi divulgada em 9 e 10 de outubro pelo jornal Ámbito e pela agência EFE, a partir de um relatório do Centro de Economía Política Argentina (CEPA).
No mesmo intervalo, os postos de trabalho registrados caíram de 9.857.173 para 9.419.562: 437.611 empregos formais a menos, ou 4,4%. Só em julho de 2026, a Argentina perdeu 948 empregadores e 3.485 empregos. Nos sete primeiros meses de 2026, foram 9.682 empregadores a menos, quase 2% do que havia em dezembro.
Quem fechou
O relatório do CEPA com dados até fevereiro de 2026, o último cuja íntegra o Abestadão leu, detalha a composição da perda, que então somava 24.437 empregadores. Transporte e armazenagem lideravam, com 6.193 a menos; comércio e reparação de veículos, 5.794; serviços imobiliários, 3.555; indústria de transformação, 3.073; serviços profissionais, 2.572; agropecuária e pesca, 2.324.
O porte é o dado que mais diz sobre o que está acontecendo. Das empresas que saíram do registro até fevereiro, 99,71% tinham até 500 trabalhadores. As grandes, com mais de 500, foram 71 casos, 0,29% do total. Em termos relativos, as pequenas e médias caíram 4,77% e as grandes, 3,93%. A base empresarial encolheu por baixo.
O que o número mede, e o que não mede
A frase “32 mil empresas fecharam” é a da imprensa argentina e da EFE, e é a deste título. Vale saber o que está por trás dela: o número oficial é o saldo líquido de empregadores com trabalhadores registrados. Uma empresa que demitiu todos os funcionários e seguiu existindo com o dono sozinho sai do registro; uma empresa nova que contratou entra nele. O saldo de 32.290 é o resultado dessas entradas e saídas, e é a melhor medida pública disponível do tecido empresarial formal argentino.
Dois outros cuidados. O marco inicial, novembro de 2023, é o mês anterior à posse, escolha que todas as fontes consultadas adotam. E a série vem de um sistema de seguro de acidentes de trabalho: cobre o emprego formal e nada diz sobre o informal, que na Argentina é grande.
O contexto de julho
O mês do dado mais recente não foi um ponto fora da curva. Segundo a EFE, com números oficiais, a atividade econômica argentina caiu 2,9% em julho em relação a junho e 1,4% em relação a julho de 2025, com inflação interanual de 33,8%. A queda relativa do número de empresas (6,3%) é maior que a do emprego (4,4%), o que é coerente com uma perda concentrada em pequenos empregadores: cada um leva poucos postos consigo.
Esta análise não atribui a trajetória a uma medida específica do governo, porque as fontes consultadas não fazem essa atribuição com dados. O que elas sustentam é o saldo: a Argentina chegou a julho de 2026 com 32.290 empresas empregadoras e 437.611 empregos formais a menos do que tinha na véspera da posse. Não foi localizada resposta do governo argentino nas fontes consultadas; a peça será atualizada se houver.
Os números
| Indicador | Valor | Período | Território | Método |
|---|---|---|---|---|
| Empregadores com trabalhadores registrados (SRT) | 512.357 → 480.067 empregadores (nov. 2023 → jul. 2026) | novembro de 2023 a julho de 2026 | Argentina | Saldo líquido do registro da SRT; não é contagem de fechamentos Fonte |
| Variação de empregadores | −32.290 empregadores (−6,3%) | novembro de 2023 a julho de 2026 | Argentina | Diferença entre os dois meses; 948 a menos só em julho Fonte |
| Empregos formais registrados | 9.857.173 → 9.419.562 postos (−437.611, −4,4%) | novembro de 2023 a julho de 2026 | Argentina | Trabalhadores cobertos pelo sistema de riscos do trabalho Fonte |
| Parcela das empresas perdidas com até 500 trabalhadores | 99,71% % dos casos, até fevereiro de 2026 | novembro de 2023 a fevereiro de 2026 | Argentina | CEPA com base na SRT; 71 casos entre empresas com mais de 500 trabalhadores Fonte |
Fontes
- Se acelera la destrucción de empresas: en julio se perdieron casi 1.000 empleadores
Empregadores de 512.357 para 480.067 (−32.290, −6,3%); empregos registrados de 9.857.173 para 9.419.562 (−437.611, −4,4%); julho: −948 empregadores e −3.485 empregos; janeiro a julho de 2026: −9.682 (−1,98%). Dados da SRT.
Parte do texto restrita a assinantes.
- Argentina: 32 mil empresas cerradas y casi 500 mil empleos perdidos en lo que va del gobierno de Milei
O relatório é do CEPA, publicado em 10/10/2026; inflação interanual de 33,8% em julho; atividade econômica −2,9% no mês e −1,4% interanual em julho.
O despacho fala em 'empresas cerradas'; a fonte mede empregadores registrados. A página informa que o resumo foi gerado com IA e revisado pelo autor.
- Análisis de la dinámica laboral y empresarial. Datos a febrero 2026
Metodologia: dados da SRT, sistema de seguridade social. Até fevereiro de 2026: −24.437 empregadores; transporte e armazenagem −6.193, comércio −5.794, serviços imobiliários −3.555, indústria −3.073, serviços profissionais −2.572, agropecuária −2.324; empresas com mais de 500 trabalhadores explicam 0,29% dos casos (71).
Cópia hospedada em site de terceiro; o original no site do CEPA não foi aberto.


