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Análise
Abestadão/Educação

Governadores bolsonaristas derrubam a educação em São Paulo. O Estado saiu do 1º para o 10º

Rede estadual sai do 1º para o 10º lugar no Ideb do ensino médio regular em dez anos. Entre 2023 e 2025, no governo Tarcísio, do Republicanos, perde mais duas posições.

Por Redação do Abestadão3 min de leitura
Charge em aquarela: caricaturas de João Doria e Tarcísio de Freitas de terno, caminhando para longe assobiando, com as mãos nos bolsos, enquanto atrás deles uma escola pública desliza morro abaixo com carteiras e livros caindo; uma professora e alunos de uniforme observam do pátio; um deles pisa num livro caído.Ilustração
Caricatura. A cena é satírica e não retrata um fato ocorrido. Charge gerada por IA sob direção da redação. Caricatura, não fotografia.

Do 1º ao 10º lugar

Infográfico: posição da rede estadual paulista no Ideb do ensino médio regular, do 1º lugar em 2015 ao 10º em 2025

Em setembro de 2016, o governador Geraldo Alckmin anunciou no Palácio dos Bandeirantes que a rede estadual paulista havia ficado em 1º lugar nas três etapas do Ideb, o índice do Inep que combina aprovação e desempenho no Saeb. No ensino médio, a nota era 3,9, dividida com Pernambuco. Dez anos depois, na avaliação de 2025, divulgada em agosto de 2026, a mesma rede aparece na 10ª posição entre as 27 redes estaduais, com 4,3.

Os números são da planilha oficial do Inep por unidade da federação, que o Abestadão baixou e conferiu. O Inep não publica ranking; a posição foi calculada contando quantas redes têm nota maior que a paulista. Com esse critério, a trajetória do ensino médio regular é esta: 1º em 2015, 4º em 2017, 5º em 2019, 3º em 2021, 8º em 2023 e 10º em 2025. A nota subiu de 3,9 para 4,3 no período. O país inteiro subiu mais.

O que cabe a cada governo

A sequência cobre cinco governadores: Geraldo Alckmin e Márcio França, do PSDB e do PSB; João Doria, eleito pelo PSDB em 2018 na dobradinha “BolsoDoria”, que estimulava o voto casado nele e em Jair Bolsonaro, com camiseta e adesivos no segundo turno, segundo a Folhapress; Rodrigo Garcia, do PSDB; e Tarcísio de Freitas, do Republicanos, ex-ministro de Bolsonaro. Em 2021, Doria disse: “Errei fortemente ao apoiar Bolsonaro na eleição contra o PT, contra Fernando Haddad”. Com Alckmin, a rede saiu do 1º para o 4º lugar entre 2015 e 2017, e a nota caiu de 3,9 para 3,8. Márcio França governou de abril a dezembro de 2018, sem avaliação do Ideb no período. Com João Doria, a nota subiu para 4,3 em 2019, o que não impediu a 5ª posição; em 2021, com 4,4, a rede voltou ao 3º lugar, empatada com Ceará, Pernambuco e Espírito Santo. Rodrigo Garcia governou de abril a dezembro de 2022, também sem avaliação. Com Tarcísio de Freitas, do Republicanos, a rede caiu para a 8ª posição em 2023, com 4,2, e para a 10ª em 2025, com 4,3.

O 3º lugar de 2021 merece ressalva, e ela é do próprio Inep: a avaliação foi aplicada na pandemia, com nota informativa sobre a comparabilidade dos resultados. Não a omitimos por isso. Omitir o ano em que a rede subiu seria o tipo de recorte que esta publicação existe para apontar.

A nota que não saiu do lugar

A rede estadual paulista marcou 4,3 em 2019 e 4,3 em 2025. A mesma nota, seis anos depois, valia o 5º lugar e passou a valer o 10º. O que mudou foi o resto do país: em 2019, quatro redes estavam à frente de São Paulo, lideradas por Goiás com 4,7; em 2025, são nove, lideradas pelo Paraná com 5,1, e Piauí, Espírito Santo e Goiás com 4,9. A meta que o Inep havia projetado para a rede paulista em 2021 era 5,1, segundo o Diário do Grande ABC.

Entre 2023 e 2025, a nota paulista subiu um décimo, de 4,2 para 4,3. Foi o bastante para a Folha classificar o resultado como estagnado e registrar, na linha fina, que o governo Tarcísio, do Republicanos, “não conseguiu elevar as notas de matemática e português”. A mesma linha fina informa que, considerando o ensino técnico, São Paulo fica em 8º lugar. Esta peça usa o ensino médio regular, que é a série comparável desde 2015.

O que a tabela não diz

Posição em ranking é uma medida relativa: São Paulo pode cair porque piorou ou porque os outros melhoraram, e o período mostra as duas coisas em momentos diferentes. A tabela também não explica causa. Esta análise não atribui a queda a uma política específica de nenhum dos cinco governos, porque as fontes consultadas não permitem isso. O que elas permitem afirmar é mais simples: a rede que era a 1ª do país no ensino médio em 2015 é hoje a 10ª, e nos dois últimos anos perdeu duas posições.

Em 2020, o governo Doria prometeu, segundo a Folha, “colocar estado de novo no topo da lista em 2021”. A promessa foi registrada no Museu das Previsões, com o resultado ao lado: 3º lugar.

Os números

IndicadorValorPeríodoTerritórioMétodo
Ideb do ensino médio regular, rede estadual de SP3,9 → 4,3
pontos de 0 a 10 (2015 → 2025)
2015, 2017, 2019, 2021, 2023 e 2025: 3,9; 3,8; 4,3; 4,4; 4,2; 4,3São Paulo, rede estadualIdeb = aprovação × desempenho no Saeb; planilha oficial por UF Fonte
Posição entre as 27 redes estaduais1º → 10º
posição (2015 → 2025)
1º (2015), 4º (2017), 5º (2019), 3º (2021), 8º (2023), 10º (2025)Brasil, redes estaduais1 + número de redes com nota maior; empates: 2015 com PE, 2017 com RO e CE, 2021 com CE, PE e ES, 2023 com MT, 2025 com SC e MT Fonte
Meta do Ideb para a rede estadual de SP5,1
pontos, meta de 2021
2021São Paulo, rede estadualMeta projetada pelo Inep; não atingida Fonte

Fontes

Temas: Educação, Previsões

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