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Reportagem
Abestadão/Política

Ex-agente do Mossad ajudou Flávio a fugir para os EUA

O israelense Menachem Halevy entrou no Brasil seis dias antes do 2º turno e cruzou a fronteira em Foz do Iguaçu sete minutos antes da van do senador, mostrou o Fantástico. Do outro lado, um jato de US$ 150 mil esperava para Miami. A PF investiga uma operação planejada com o nome de Alba.

Por Redação do Abestadão3 min de leitura
Charge em aquarela à noite na ponte da fronteira de Foz do Iguaçu: caricatura de Flávio Bolsonaro, de terno e maleta, agachado atrás de uma van branca com o dedo nos lábios, puxado pela manga por um espião anônimo de capa bege, chapéu e óculos escuros com um mapa; um passaporte brasileiro rasgado no chão, as cataratas abaixo e um jato particular esperando do outro lado.Ilustração
Caricatura. A cena é satírica; o espião é anônimo e não representa pessoa identificável. Charge gerada por IA sob direção da redação. Caricatura, não fotografia.

A noite na ponte

Infográfico: Halevy entra no Brasil em 19/10, cruza a fronteira 7 minutos antes de Flávio, que tem 3 entradas na Argentina em 34 minutos e voa num jato de US$ 150 mil

Na noite de terça-feira, 27 de outubro, dois dias depois de perder o 2º turno por 4,4 milhões de votos e com os passaportes retidos pelo Supremo, Flávio Bolsonaro atravessou a ponte Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. Sete minutos antes, segundo os registros da migração argentina revelados pelo Fantástico no domingo, 1º de novembro, outra van fez o mesmo caminho. Nela estavam o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e o israelense Menachem Booky Halevy, naturalizado americano, apontado como ex-oficial do Mossad, o serviço secreto de Israel.

Halevy tinha entrado no Brasil em 19 de outubro, pelo aeroporto de Guarulhos, seis dias antes do 2º turno. Segundo a CNN Brasil, ele acompanhou o senador de Brasília até a Argentina. A Polícia Federal o investiga como participante da operação, que, de acordo com a emissora, teve planejamento internacional prévio e nome interno: Alba.

Três documentos em 34 minutos

Do lado argentino, o sistema de imigração registrou Flávio três vezes na mesma van: às 22h37, com passaporte italiano; às 22h40, com a carteira de motorista; às 23h11, com o passaporte brasileiro. Os dois registros com documentos brasileiros foram cancelados. Ficou valendo o italiano.

O jornalista argentino Nicolás Munafó relatou escolta policial e veículos oficiais na operação, incluindo uma caminhonete com placa diplomática. No aeroporto de Puerto Iguazú, esperava um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, da empresa de fretamento Baires Fly. O dono da empresa, Luis Grande, disse à AFP que o voo custou US$ 150 mil, pagos por um intermediário nos Estados Unidos, e que não sabe quem foi o contratante final. A imprensa americana atribui o arranjo a Jason Miller, estrategista de Donald Trump. O jato reabasteceu em Guayaquil, no Equador, e pousou no aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, na manhã de quarta-feira, 28. Ao desembarcar, segundo a CNN, Flávio usou o passaporte diplomático que a PF já havia cancelado.

O que cada um diz

Flávio publicou, antes do Fantástico ir ao ar: “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil!”. O advogado dele, Frederick Wassef, disse que nenhuma informação sobre a viagem é oficial e que não houve fuga, sem dizer quem pagou o jato. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo dos EUA tenha ajudado e disse que o senador já tinha visto. O governo argentino informou que “não tem nada a declarar”; a deputada Marcela Pagano apontou irregularidade no controle migratório, e a Justiça do país mandou preservar as imagens da fronteira e do aeroporto. O motorista da van de Halevy disse ter levado “duas pessoas que eu nem sei quem é”. Fontes do governo brasileiro ouvidas pela CNN chamam a operação de “exfiltração”.

O que não está provado

O Mossad, como instituição, não aparece em nenhum documento. Nenhuma das fontes aponta participação do governo de Israel, que não se manifestou, e o Abestadão não afirma isso: o título fala em ex-agente porque é o que os registros mostram. Também não está estabelecido o que exatamente Halevy fez na rota, nem quem o contratou; é isso que a PF tenta responder. As versões do trajeto divergem em um ponto: o Fantástico registra uma linha de investigação em que Flávio voou de Brasília para San Fernando, perto de Buenos Aires, e outra em que entrou por terra em Foz. Os registros de imigração na ponte, com os três documentos, são o que as duas versões têm em comum.

A peça será atualizada quando a PF concluir o relatório ou quando Halevy, Israel ou a defesa de Flávio se manifestarem.

Os números

IndicadorValorPeríodoTerritórioMétodo
Entrada de Menachem Halevy no Brasil19/10/2026
Aeroporto de Guarulhos
seis dias antes do 2º turnoBrasilRegistro migratório revelado pelo Fantástico Fonte
Intervalo entre a van de Halevy e a de Flávio7 minutos
na ponte Tancredo Neves
noite de 27/10/2026Foz do Iguaçu–Puerto IguazúRegistros da migração argentina Fonte
Entradas de Flávio na Argentina3 em 34 minutos
passaporte italiano, CNH, passaporte brasileiro
22h37 a 23h11 de 27/10/2026ArgentinaRegistros da migração argentina; só a do passaporte italiano ficou válida Fonte
Custo do voo para MiamiUS$ 150 mil
Gulfstream G400, Baires Fly
27 a 28/10/2026Puerto Iguazú–Guayaquil–MiamiDeclaração do dono da empresa, Luis Grande, à AFP Fonte

Fontes

  • Fuga de Flávio para EUA envolveu ex-agente israelense e carros diplomáticos argentinos, revela TV · O Tempo, sobre reportagem do Fantástico (TV Globo), 01/11/2026. Consultada em 02/11/2026

    Três entradas de Flávio na Argentina na mesma noite (22h37 passaporte italiano, 22h40 CNH, 23h11 passaporte brasileiro; só a primeira ficou válida); van com Menachem Booky Halevy, o advogado Roberto Jorge Alexandre e o motorista Neri Luiz Dala Corte cruzou cerca de 7 minutos antes; Halevy entrou no Brasil em 19/10 por Guarulhos; escolta policial e caminhonete com placa diplomática argentina, segundo o jornalista Nicolás Munafó; jato Gulfstream G400 da Baires Fly, US$ 150 mil pagos por intermediário nos EUA, segundo o dono, Luis Grande, à AFP; respostas de Rubio, Trump, Wassef, do governo argentino e de Willer Tomaz.

    Reportagem de TV lida pela transcrição de O Tempo.

  • Vans, ex-agente da Mossad e jato estrangeiro: os detalhes da fuga de Flávio · CNN Brasil, 31/10/2026. Consultada em 02/11/2026

    Duas vans (placas TBB 4A65 e FDF 8E91) cruzaram a ponte Tancredo Neves em 27/10; o ex-agente, naturalizado americano, acompanhou Flávio de Brasília até a Argentina; jato Gulfstream G400 matrícula LV-JQW, escala em Guayaquil, pouso em Opa-locka por volta das 10h30 de 28/10; Flávio usou passaporte diplomático que a PF havia cancelado; PF investiga 'operação Alba' com planejamento internacional prévio; fontes do governo falam em auxílio da Argentina e dos EUA.

    Texto sem assinatura explícita no blog; fontes do governo não identificadas.

  • Flavio Bolsonaro fled Brazil accompanied by former Mossad agent: Report · Anadolu Agency, 01/11/2026. Consultada em 02/11/2026

    Agência internacional registra a reportagem: o ex-oficial chegou ao Brasil em 19/10, viajou de Brasília à Argentina e não teve o papel na organização estabelecido.

  • Flávio Bolsonaro teve três registros de entrada na Argentina em apenas 34 minutos · NC News, 02/11/2026. Consultada em 02/11/2026

    A PF tenta determinar se Halevy ajudou a organizar a viagem; a presença dele não prova, sozinha, que coordenou a operação.

Temas: Democracia, Eleições

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Ex-agente do Mossad ajudou Flávio a fugir para os EUA

Registros migratórios revelados pelo Fantástico mostram que Menachem Booky Halevy, ex-oficial do Mossad, cruzou a ponte para a Argentina minutos antes de Flávio Bolsonaro, que entrou três vezes no país em 34 minutos, com três documentos, e voou para Miami num jato fretado. A PF investiga o papel dele; não há prova de envolvimento do Estado de Israel.

O israelense Menachem Halevy entrou no Brasil seis dias antes do 2º turno e cruzou a fronteira em Foz do Iguaçu sete minutos antes da van do senador, mostrou o Fantástico. Do outro lado, um jato de US$ 150 mil esperava para Miami. A PF investiga uma operação planejada com o nome de Alba.

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