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Reportagem
Abestadão/STF

Fux se posiciona a favor do banimento das bets: "devem ser banidas"

Na abertura da audiência pública do STF, o relator das ações contra a proibição disse que o vício em apostas é problema de saúde pública. O voto dele ainda depende de outros dez ministros, e o julgamento está parado por um pedido de vista de Flávio Dino desde agosto.

Por Redação do Abestadão2 min de leitura
Charge em aquarela no plenário do Supremo, com as cadeiras dos outros ministros vazias ao fundo: uma caricatura de Luiz Fux, de toga, desce um martelo de juiz gigante sobre um celular caído no chão que mostra um caça-níquel com a palavra Bet; a tela se estilhaça e fichas de cassino e moedas voam.Charge
Caricatura do ministro Luiz Fux. A cena é satírica. Charge gerada por IA sob direção da redação, com retratos de Luiz Fux (Wikimedia Commons) como referência. Caricatura, não fotografia.

“As bets devem ser banidas.” A frase é do ministro Luiz Fux, dita nesta terça-feira (3) na abertura da audiência pública que ele mesmo convocou no Supremo. Fux é o relator das ações em que as empresas de apostas pedem a derrubada da medida provisória que proibiu as bets, editada pelo governo Lula em 25 de setembro. Desde 6 de outubro, os sites e aplicativos estão fora do ar.

“Problema de saúde pública”

Fux disse que se convenceu ouvindo a sociedade desde 2024, quando chegaram ao STF as primeiras ações contra a lei que regulamentou as apostas: “a ludopatia é um problema de saúde pública”. Ludopatia é o vício em jogo. Sobre o que ouviu até aqui, resumiu: “Ninguém aqui falou bem.”

Ele contou que já queria ter dito isso em agosto. No julgamento sobre a lei de 1941 que proíbe jogos de azar, Fux chamou as bets de “nova estratégia mercadológica deletéria”, mas o ministro Flávio Dino pediu vista, e o caso parou. “Houve um pedido de vista que não voltou até hoje”, disse.

A lista de convidados

A audiência começou sob críticas. Deputados acusaram o ministro de chamar só quem tem interesse no setor. Das 34 entidades convocadas, ao menos 22 já tinham se manifestado contra a proibição, pelas contas da CNN. O Abestadão mostrou que bets e clubes ocupavam 17 das 26 cadeiras da primeira lista. Fux chamou as críticas de “desinformadas”: “Não procede a alegação de que só convoquei empresas e times de futebol, não”. A Advocacia-Geral da União pediu para incluir representantes dos ministérios da Saúde e da Justiça.

O que vem agora

A posição de Fux é um voto, não uma decisão. “Sucede que eu tenho dez colegas que vão ter que apreciar”, disse. Ele também falou em segurança jurídica e em modular os efeitos de uma eventual proibição, com prazos ou condições. As empresas lembram que pagaram R$ 30 milhões por autorização: o governo arrecadou R$ 2,55 bilhões com 85 licenças, e a MP não prevê devolução.

A MP ainda precisa passar pelo Congresso, que tem até 120 dias. Enquanto isso, o relator do caso no Supremo deixou claro de que lado está. É o lado do apostador que ficou do lado de fora da audiência.

Fontes

  • Fux defende "banir" bets e diz que já ouviu entidades contrárias às apostas · CNN Brasil, 03/11/2026. Consultada em 03/11/2026

    Fux disse que as bets devem ser banidas e que o vício em apostas é problema de saúde pública; chamou de desinformadas as críticas à audiência e lembrou que o STF ouviu dezenas de entidades em 2024. Das 34 entidades convocadas, ao menos 22 já se manifestaram contra a proibição. Os sites saíram do ar em 6/10, e a MP precisa ser analisada pelo Congresso em até 120 dias. Fux sugeriu modular os efeitos de uma eventual decisão.

  • Fux diz que bets devem ser banidas e defende proibição das apostas no Brasil · Gazeta do Povo, 03/11/2026. Consultada em 03/11/2026

    A MP 1.394 foi editada em 25/9/2026. Fux é relator de oito ações sobre apostas online, inclusive contra a MP, movidas por ANJL, IBJR e Anseja. Em agosto, no julgamento da lei de 1941 sobre jogos de azar, Flávio Dino pediu vista, e o caso não voltou. O governo arrecadou R$ 2,55 bilhões com 85 autorizações sob a Lei 14.790/2023.

Temas: Democracia, Renda

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