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Análise
Abestadão/Internacional

Americanos votam e enterram o MAGA

Os três candidatos ao Senado que Trump escolheu a dedo em estados decisivos perderam. O partido dele entregou o Senado, a Câmara e quatro governos. Na boca de urna, seis em cada dez eleitores disseram que Trump pesou no voto, e só 38% aprovavam o presidente.

Por Redação do Abestadão2 min de leitura
Charge em aquarela num cemitério ao amanhecer: uma caricatura de Donald Trump, de terno e gravata vermelha, segura um buquê murcho e o celular e olha espantada para uma lápide escrita MAGA 2016-2026, sobre terra recém-mexida, com uma pá de cabo em forma de urna eleitoral enfeitada com laço azul; ao fundo, uma fila de eleitores com adesivos I Voted caminha em direção ao Capitólio iluminado pelo sol.Charge
Caricatura de Donald Trump. A cena é satírica. Charge gerada por IA sob direção da redação, com o retrato oficial de Trump (Wikimedia Commons) como referência. Caricatura, não fotografia.

Donald Trump transformou a eleição de meio de mandato num plebiscito sobre ele mesmo. Os americanos aceitaram o convite e responderam. Na boca de urna da CBS, seis em cada dez eleitores disseram que Trump pesou no voto para a Câmara, e só 38% aprovavam o presidente, a caminho de ser a pior marca de um presidente numa eleição de meio de mandato. Do lado democrata, o principal motivo para sair de casa e votar era ser contra ele.

O resultado veio na mesma direção. Segundo a NBC, os democratas tomaram o Senado, com sete viradas e 54 cadeiras na manhã de quarta-feira (4), e a Câmara, com estimativa de 258 cadeiras contra 177. Nos estados, viraram quatro governos. A cobertura da noite está nesta reportagem e no painel da apuração.

Os escolhidos de Trump

O teste mais direto do trumpismo foram os candidatos que o próprio Trump escolheu. Em Michigan, ele liderou a união republicana em torno de Mike Rogers. Em Iowa, entrou no apoio a Ashley Hinson. Na Carolina do Norte, deu seu endosso a Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.

Os três perderam. Rogers ficou com 45,6% contra 52,4% de El-Sayed. Hinson teve 46,4% contra 50,5% de Turek, numa cadeira que era republicana. Whatley levou uma surra de quase 20 pontos de Roy Cooper: 39,1% a 58,7%.

Nem a bandeira nem o meio-termo

A derrota não poupou nenhuma das versões do partido. Ken Paxton, procurador-geral do Texas, perdeu uma cadeira republicana por 55,1% a 43%. Susan Collins, a republicana moderada do Maine, também caiu. Vivek Ramaswamy perdeu o governo de Ohio para Amy Acton.

A aprovação de Trump estava negativa em quase todos os estados que decidiam o Senado, inclusive nos que ele venceu por mais de dez pontos em 2024. O eleitor que deu a Casa Branca a Trump dois anos atrás tirou dele o Congresso.

Uma morte anunciada pelo próprio

Na manhã da eleição, Trump já preparava a explicação: disse que “o presidente no cargo não ganha” as eleições de meio de mandato. É verdade que o partido do presidente costuma perder cadeiras. Perder as duas Casas, quatro governos e todos os seus escolhidos nos estados-chave é outra coisa.

O movimento não sumiu: Trump segue na Casa Branca até 2029 e o Partido Republicano continua dele. Mas, a partir de janeiro, cada lei, cada nomeação e cada orçamento vão passar por um Congresso que os eleitores entregaram à oposição. O MAGA como projeto de poder sem freio foi enterrado nas urnas de 3 de novembro, e quem pegou na pá foram os americanos.

Fontes

  • Senate races to watch and the balance of power in 2026 · NBC New York, 28/12/2025. Consultada em 04/11/2026

    Trump liderou a união republicana em torno de Mike Rogers em Michigan, se juntou ao apoio a Ashley Hinson em Iowa e deu seu endosso a Michael Whatley na Carolina do Norte.

  • 2026 Senate election results · NBC News, 04/11/2026. Consultada em 04/11/2026

    Às 9h20 de Brasília de 4/11, a NBC projetava controle democrata do Senado, 54 a 44, com sete viradas. Rogers perdeu para El-Sayed em Michigan (45,6% a 52,4%), Hinson para Turek em Iowa (46,4% a 50,5%) e Whatley para Roy Cooper na Carolina do Norte (39,1% a 58,7%). Susan Collins perdeu no Maine (46,1% a 53,8%) e Ken Paxton, no Texas (43,0% a 55,1%).

    Projeções; Mississippi e Alasca seguiam abertos.

  • 2026 House election results · NBC News, 04/11/2026. Consultada em 04/11/2026

    A NBC projetou controle democrata da Câmara. Às 9h20 de Brasília de 4/11, havia 231 democratas e 144 republicanos projetados, com 29 viradas democratas; o Decision Desk estima 258 a 177.

    Estimativa de cadeiras, não resultado oficial.

  • 2026 Governor election results · NBC News, 04/11/2026. Consultada em 04/11/2026

    Os democratas viraram os governos da Geórgia, de Ohio (Amy Acton sobre Vivek Ramaswamy), de Iowa e de Nevada (Ford sobre o governador Joe Lombardo).

  • 2026 elections live updates as midterm voters decide control of Congress · CBS News, 03/11/2026. Consultada em 03/11/2026

    Na boca de urna da CBS, a aprovação de Trump era de 38%, abaixo de George W. Bush em 2006. Seis em cada dez disseram que Trump pesou no voto para a Câmara; do lado democrata, o principal motivo era ser contra ele. A aprovação dele era negativa em quase todos os estados-chave do Senado, inclusive onde venceu por dois dígitos em 2024. Na manhã da eleição, Trump disse que o presidente no cargo não ganha as eleições de meio de mandato.

    Números iniciais de boca de urna.

Temas: Democracia, Eleições

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