A virada histórica da democracia contra o MAGA
Trump perdeu o Congresso, e os aliados que vestiram o boné dele pelo mundo também estão em apuros: Netanyahu ficou sem maioria no Parlamento de Israel, Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos, e a Argentina de Milei fechou mais de 32 mil empresas.
ChargeO boné vermelho virou marca internacional. Make America Great Again, o MAGA de Donald Trump, foi adotado por aliados no mundo todo, de Jerusalém a Buenos Aires e ao Brasil. Nesta semana, a marca levou a maior derrota desde que foi criada.
Em casa, o Congresso perdido
Na terça-feira (3), os americanos tiraram de Trump o Senado e a Câmara, segundo as projeções da NBC. No Senado, foram sete viradas democratas, e o placar chegou a 54 a 44. Na Câmara, a estimativa é de 258 cadeiras democratas contra 177. Na boca de urna da CBS, só 38% aprovavam o presidente.
Perderam até os escolhidos dele. Trump bancou Mike Rogers em Michigan, Ashley Hinson em Iowa e Michael Whatley na Carolina do Norte. Os três foram derrotados. O Abestadão contou a noite em detalhe nesta reportagem e na análise Americanos votam e enterram o MAGA.
Os aliados
Benjamin Netanyahu, o aliado mais próximo de Trump fora dos EUA, também saiu das urnas menor. Na eleição israelense da semana passada, o bloco dele ficou com 53 cadeiras, abaixo das 61 que dão maioria no Parlamento. Ainda tenta formar governo, mas sem os votos que tinha. E perde, em Washington, o Congresso que dizia amém a tudo o que ele pedia: dias antes da votação americana, ele pressionou Trump a atacar o Irã, e Trump bombardeou na véspera.
No Brasil, o principal herdeiro do bolsonarismo nem esperou o resultado americano. Flávio Bolsonaro deixou o país com ajuda de um ex-agente do Mossad e foi buscar abrigo justamente nos Estados Unidos de Trump. Lá, há americanos pedindo que ele seja deportado.
Na Argentina, Javier Milei, que não estava em eleição, carrega a conta da própria política: mais de 32 mil empresas fecharam desde a posse dele.
A virada
Trump continua presidente até 2029, Netanyahu ainda tenta governar e Milei segue na Casa Rosada. Mas o recado de 3 de novembro vale para toda a rede: o boné que parecia invencível perdeu a maioria no país que o inventou. É a democracia funcionando, pelo voto, contra quem passou os últimos anos tentando dobrá-la.
Fontes
- 2026 Senate election results
A NBC projetou o controle democrata do Senado, com 54 cadeiras contra 44 e sete viradas, às 9h20 de Brasília de 4/11. Mike Rogers perdeu em Michigan (45,6% a 52,4%), Ashley Hinson em Iowa (46,4% a 50,5%) e Michael Whatley na Carolina do Norte (39,1% a 58,7%).
Projeção.
- 2026 House election results
A NBC projetou o controle democrata da Câmara, com estimativa de 258 cadeiras democratas e 177 republicanas.
Estimativa, não resultado oficial.
- Senate races to watch and the balance of power in 2026
Trump liderou a união republicana em torno de Mike Rogers em Michigan, entrou no apoio a Ashley Hinson em Iowa e deu seu endosso a Michael Whatley na Carolina do Norte.
- Israel election results: Benjamin Netanyahu bloc wins 53 seats, opposition holds 48
Na eleição israelense, o bloco de Netanyahu ficou com 53 cadeiras no Knesset, abaixo das 61 da maioria; a oposição, com 48.
A formação do governo seguia em aberto.
- 2026 elections live updates as midterm voters decide control of Congress
Na boca de urna da CBS, a aprovação de Trump era de 38%, a caminho de ser a pior de um presidente numa eleição de meio de mandato.
Números iniciais de boca de urna.


