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Reportagem
Abestadão/Estados

A pedido da polícia de SP, Milton Leite (União-SP) segue preso por elo com o PCC nos ônibus da capital

O ex-presidente da Câmara de São Paulo está na cadeia há 50 dias, suspeito de ser o dono de fato da Transwolff, a empresa de ônibus que a investigação liga à facção. Tarcísio, que lhe agradeceu a “parceria enorme”, agora fala em relação “institucional”.

Por Redação do Abestadão3 min de leitura
Charge em aquarela: caricatura de Milton Leite, de terno risca de giz, sorri e acena ao volante de um ônibus verde com o nome Transwolff, enquanto um policial civil de colete preto o para com um papel escrito Prisão; dentro do ônibus, homens de óculos escuros contam pilhas de dinheiro; ao fundo, a Ponte Estaiada e os prédios de São Paulo.Charge
Caricatura de Milton Leite. A cena é satírica. Charge gerada por IA sob direção da redação, com a foto do perfil de Milton Leite no site da Câmara Municipal de São Paulo como referência de rosto (não reproduzida). Caricatura, não fotografia.

Milton Leite (União-SP) passou 28 anos na Câmara Municipal de São Paulo, sete mandatos, e foi o presidente mais longevo da Casa desde a redemocratização. Desde 18 de setembro, está numa cela. E é a polícia do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) que pede para ele continuar lá.

A Operação Vectura Corrupta

Em 17 de setembro, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo foram às ruas com 16 mandados de prisão e 18 de busca. O alvo é a infiltração do PCC nas empresas de ônibus da capital. Os investigadores suspeitam que até 12 das 22 operadoras do sistema estejam sob controle ou influência da facção, com corrupção de servidores, financiamento de campanhas e lavagem de dinheiro. Entre os presos está o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira.

Leite não foi encontrado em casa naquele dia e chegou a ser considerado foragido. Apresentou-se no dia seguinte numa delegacia de Mogi das Cruzes. A prisão temporária tinha sido decretada pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça, depois que um juiz de primeira instância a negou. O STJ recusou soltá-lo em 23 de setembro.

Em 15 de outubro, a pedido da Polícia Civil e com parecer favorável do Ministério Público, a Justiça prorrogou a prisão por mais 30 dias, para “resguardar a integridade das fontes de prova digital”. Valeu para ele e para outros 12 investigados.

O dono de fato da Transwolff

A Transwolff é a empresa de ônibus que já tinha caído na Operação Fim da Linha, em abril de 2024, acusada de servir ao PCC. Policiais militares disseram, em outro procedimento, que Leite seria o dono de fato da empresa. O Tribunal de Justiça o descreve como “responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC”. O Ministério Público o vê como o articulador político do grupo. Uma construtora ligada à família tinha contratos com a Transwolff que somaram perto de R$ 20 milhões até agosto de 2024.

A defesa tem um ponto: segundo a Folha, as representações que levaram à prisão não apontam pagamentos nem sociedade de Leite com as empresas. O nome dele aparece em depoimentos de PMs e num áudio apreendido. Num imóvel em Sorocaba ligado a um assessor, a polícia achou cerca de R$ 737 mil em dinheiro vivo.

“Eu não cometi nenhum crime e nada devo. Eu nego todas as acusações e tenho convicção de que sou inocente.”

A cela de Mogi

Na cadeia de Mogi das Cruzes, a história ganhou outro capítulo. O Ministério Público investigou suspeitas de regalias, a Polícia Civil afastou três delegados, um carcereiro e um investigador, e com o carcereiro foram encontrados cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil. Havia dois celulares na cela. Em 20 de outubro, Leite foi transferido para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. A defesa nega qualquer regalia.

A parceria enorme

No lançamento das candidaturas dos filhos de Leite, Tarcísio subiu ao palco, abraçou a família e agradeceu ao pai pela “parceria enorme”. No dia da operação, a parceria encolheu: a relação “sempre foi institucional”, disse o governador, que contou ter sabido do pedido de prisão pela imprensa. O prefeito Ricardo Nunes (MDB), de quem Leite era aliado, foi mais curto:

“Cada um tem que responder pelos seus atos.”

Os eleitores não esperaram a Justiça. Em 4 de outubro, com o pai preso, Milton Leite Filho foi eleito deputado federal com 71.631 votos. A prorrogação da prisão vence em meados de novembro. Até lá, a polícia de Tarcísio segue investigando o aliado de Tarcísio, e os ônibus de São Paulo seguem rodando com a pergunta que ninguém no governo quer responder: quantos deles o PCC dirige?

Fontes

Temas: Polícia, Segurança pública, São Paulo

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