Piauí de Rafael Fonteles (PT-PI) sobe 25 posições e fica em 2º lugar no ranking nacional da educação
Último das 27 redes estaduais em 2009, o ensino médio do Piauí tem hoje a segunda maior nota do país no Ideb, empatado com Goiás e Espírito Santo e atrás só do Paraná. No governo Rafael Fonteles (PT-PI), desde 2023, subiu do 6º para o 2º lugar.
ChargeDo último ao segundo

Em 2009, a rede estadual do Piauí teve a pior nota do país no Ideb do ensino médio: 2,7, a 27ª de 27. Na avaliação de 2025, divulgada pelo Inep em agosto de 2026, a mesma rede marcou 4,9 e ficou em 2º lugar, atrás só do Paraná, com 5,1, e empatada com Goiás e Espírito Santo. A rede estadual de São Paulo, que já foi a 1ª do país, tem 4,3 e está em 10º, como esta publicação mostrou; a do Rio de Janeiro, com 3,7, está em 23º.
Os números são da planilha oficial do Inep por unidade da federação, que o Abestadão baixou e conferiu. O Inep não publica ranking; a posição foi calculada contando quantas redes estaduais têm nota maior que a do Piauí. Com esse critério, a subida é quase contínua: 26º em 2005, 27º em 2009, 18º em 2015, 14º em 2019, 9º em 2021, 6º em 2023 e 2º em 2025. Em vinte anos, a nota passou de 2,3 para 4,9. Nenhuma outra rede estadual subiu tanto no período: o segundo maior avanço, de Pernambuco e de Goiás, foi de 2,0 pontos, contra 2,6 do Piauí.
Aprovação e aprendizagem
O Ideb multiplica duas coisas: a aprovação dos alunos e a nota que eles tiram no Saeb, a prova nacional de português e matemática. Uma rede pode subir no índice só aprovando mais. No caso do Piauí, a planilha mostra as duas coisas. A aprovação no ensino médio estadual foi de 66,5% em 2005 para 99,5% em 2025, a maior do país. E a nota no Saeb, que mede aprendizagem, também subiu: o Piauí tinha a 13ª melhor média entre as redes estaduais em 2023 e passou à 5ª em 2025. Em matemática, ficou em 3º lugar, atrás de Paraná e Goiás; em português, em 7º.
Por isso, o 2º lugar não se explica só pela aprovação. Na aprendizagem pura, o Piauí está entre os cinco primeiros, e não entre os dois. É um resultado de primeira linha, sem precisar de arredondamento.
O tempo integral
As fontes que acompanham o resultado apontam a mesma explicação. Segundo o Instituto Natura, em análise distribuída pela Agência Brasil, o Piauí “é o único do Brasil com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral”, e a mudança foi feita entre 2022 e 2025. A Revista Fórum, que lembra que o estado “ocupava a lanterna do ranking nacional do Ideb para o ensino médio”, registra que a matrícula em tempo integral passou de 21% para 81% dos alunos, integrada à educação profissional, e que o governador Rafael Fonteles (PT-PI) pôs a educação no centro do projeto do estado. Fonteles assumiu em janeiro de 2023; desde a avaliação daquele ano, a rede passou do 6º para o 2º lugar, e a mudança para o tempo integral apontada pelo Instituto Natura cobre o mesmo período. A subida, porém, começou antes: de 2009 a 2021, sob outros governos, a rede já tinha ido do 27º ao 9º lugar.
É uma explicação plausível e coerente com o momento da subida, mas a tabela, sozinha, não prova a causa, e esta reportagem não encontrou estudo que isole o efeito do tempo integral na rede piauiense.
O que a tabela não diz
Posição em ranking é uma medida relativa, e o 2º lugar de 2025 é dividido com outras duas redes. O ano de 2021 vem com ressalva do próprio Inep, porque a prova foi aplicada na pandemia. A série usada aqui é a do ensino médio regular; reportagens que falam em nota 5,0 usam outro recorte.
Feitas as ressalvas, fica o fato: o estado que muitos comentaristas do Sudeste ainda usam como sinônimo de atraso tem hoje a segunda maior nota do país no ensino médio público estadual, à frente de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Os números
| Indicador | Valor | Período | Território | Método |
|---|---|---|---|---|
| Ideb do ensino médio regular, rede estadual do Piauí | 2,3 → 4,9 pontos de 0 a 10 (2005 → 2025) | 2005 a 2025, a cada dois anos | Piauí, rede estadual | Ideb = indicador de rendimento (aprovação) × nota média padronizada do Saeb; planilha oficial por UF Fonte |
| Posição entre as 27 redes estaduais | 27º → 2º posição (2009 → 2025) | 26º (2005), 27º (2009), 18º (2015), 14º (2019), 9º (2021), 6º (2023), 2º (2025) | Brasil, redes estaduais | 1 + número de redes com nota maior; em 2025, empate com Goiás e Espírito Santo Fonte |
| Taxa de aprovação no ensino médio, rede estadual do Piauí | 99,5 % (2025) | 66,5% em 2005; 83,3% em 2019; 99,5% em 2025 | Piauí, rede estadual | Taxa de aprovação do Censo Escolar usada no Ideb Fonte |
Fontes
- Ideb 2025: resultados por regiões e unidades da federação (divulgacao_regioes_ufs_ideb_2025.xlsx, aba UF e Regiões (EM))
Notas da rede estadual do Piauí de 2005 a 2025 (2,3; 2,5; 2,7; 2,9; 3,0; 3,2; 3,3; 3,7; 4,0; 4,3; 4,9) e posições 26º, 26º, 27º, 22º, 17º, 18º, 16º, 14º, 9º, 6º e 2º; Paraná com 5,1 em 2025; aprovação de 99,5% e indicador de rendimento de 0,995 em 2025, o maior entre as redes estaduais; nota média padronizada do Saeb de 4,90, a 5ª do país, ante a 13ª em 2023; matemática na 3ª posição e português na 7ª.
Posições calculadas pelo Abestadão a partir das notas; o Inep não publica ranking.
- Resultados do Ideb
Página oficial de onde a planilha foi baixada.
- O Piauí tinha a pior educação do Brasil. Em 20 anos, conseguiu dobrar seu resultado e hoje é o segundo lugar no ranking do Ideb
O ensino médio em tempo integral passou de 21% para 81% das matrículas, e a aprovação passou de 65% para 99,5%; o governador Rafael Fonteles (PT-PI) pôs a educação no centro do projeto do estado.
Os anos e posições da Fórum para 2019 e 2023 divergem da planilha do Inep; a peça usa a planilha.
- Instituto Natura Brasil analisa Ideb 2025 de escolas 100% integral (Agência Brasil)
Segundo o Instituto Natura, o Piauí é o único estado com todas as escolas estaduais de ensino médio em tempo integral, e a mudança foi feita entre 2022 e 2025.
Avaliação de uma organização que apoia o modelo de tempo integral.
- Rafael Fonteles
Rafael Fonteles, do PT, governa o Piauí desde janeiro de 2023.
Enciclopédia colaborativa; dado biográfico básico.


